Em uma emergência, o maior medo da maioria das pessoas não é o desastre em si. É perder contato com quem ama e não saber onde procurar.
Terremotos, incêndios, emergências climáticas e apagões prolongados costumam acontecer sem aviso, e é justamente nesses momentos que a família pode estar espalhada, alguém no trabalho, outro na escola, outro na rua fazendo compras.Ter pontos de encontro definidos com antecedência resolve esse problema antes que ele apareça. Não é um plano complicado. É simples, barato e pode ser montado em uma tarde de conversa em família. Veja como estruturar o seu.
Por que um único ponto de encontro não é suficiente
Muita gente pensa em definir apenas um lugar, geralmente a própria casa. O problema é que, dependendo do desastre, a casa pode ser justamente o local inacessível ou perigoso, como em caso de incêndio, desmoronamento ou vazamento de gás.
Por isso, o ideal é ter pelo menos três níveis de pontos de encontro:
Ponto de encontro imediato: Um local bem próximo de casa, como a calçada em frente, um poste específico ou a casa de um vizinho de confiança. Serve para situações como incêndios domésticos, quando todos precisam sair rápido e se contar em segundos.
Ponto de encontro no bairro: Um local um pouco mais distante, como uma praça, escola ou posto de gasolina conhecido por todos. Serve para casos em que a casa fica temporariamente inacessível, mas a área ainda é segura.
Ponto de encontro fora da região: Um local em outra cidade ou bairro distante, geralmente a casa de um parente ou amigo. Serve para desastres de grande escala, como terremotos fortes ou enchentes generalizadas, quando toda a área pode precisar ser evacuada.
Como escolher os locais certos
Alguns critérios ajudam a tornar a escolha mais eficiente.
O local precisa ser conhecido por todos os membros da família, incluindo as crianças. Não adianta escolher um ponto que só o adulto conhece.
Precisa ser fácil de descrever e de chegar a pé, já que em muitos desastres o trânsito trava ou os carros ficam inutilizáveis.
Precisa estar fora de áreas de risco óbvias, como embaixo de estruturas antigas, perto de rios com histórico de enchentes ou perto de postos de combustível, no caso dos pontos mais próximos.
Vale visitar o local fisicamente com a família antes de definir, em vez de apenas falar o nome. Caminhar até lá, cronometrar o tempo e apontar referências visuais ajuda muito na memorização, principalmente para crianças.
O que incluir no plano além do local
Definir o ponto físico é só uma parte. O plano fica mais completo com alguns elementos adicionais:
Contato fora da cidade: Em desastres regionais, as linhas de telefone locais costumam ficar sobrecarregadas, mas ligações de longa distância às vezes continuam funcionando. Ter um parente ou amigo de outra cidade como referência central, para quem todos ligam informando que estão bem, ajuda a centralizar informação sem depender de contato direto entre todos.
Rotas alternativas: Além do ponto de encontro, vale mapear mais de um caminho até lá, caso uma rua fique bloqueada ou intransitável.
Combinado para quem não consegue se mover: Idosos, pessoas com mobilidade reduzida ou animais de estimação precisam de um plano específico, porque nem sempre é possível chegar ao ponto de encontro sozinho.
Documentos e informações essenciais memorizadas: Cada membro da família, incluindo crianças a partir de certa idade, deveria saber de cor o endereço do ponto de encontro e o telefone do contato fora da cidade, sem depender do celular.
Praticar o plano com a família
Ter o plano escrito não é o suficiente. Famílias que praticam o percurso, mesmo que uma vez por ano, memorizam melhor e reagem com menos pânico quando algo realmente acontece.
Uma boa forma de fazer isso é transformar em simulação leve, sem gerar medo nas crianças. Caminhar juntos até o ponto de encontro em um sábado qualquer, cronometrar o tempo e conversar sobre o motivo daquele exercício já cumpre o papel.
O detalhe que faz diferença
Pontos de encontro bem definidos não evitam o desastre, mas evitam o segundo problema, que muitas vezes é maior que o primeiro. A angústia de não saber onde estão as pessoas que você ama.
Um plano simples, revisado de vez em quando, é o tipo de preparação que custa pouco e protege muito.

