A NOAA confirmou que o El Niño já está em curso, com status oficial elevado para "El Niño Advisory". A previsão é que o fenômeno ganhe força ao longo do segundo semestre de 2026, com mais de 90% de chance de seguir ativo até o fim do ano.
As previsões mais recentes apontam para uma intensidade pelo menos moderada, com chance real de chegar a forte. Isso já é o suficiente para provocar seca severa numa região do país e enchente grave em outra. Mas não é preciso um recorde histórico para esse El Niño justificar a preparação, o efeito prático já está garantido pelos números que temos hoje.
Este texto não é para alarmar sem motivo. É para você saber o que está por vir, entender por que isso está acontecendo agora e, principalmente, se preparar.
Entendendo o fenômeno
De forma geral, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas e inundações em partes da América do Sul, África Oriental e sul dos Estados Unidos. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization – WMO):
“No Oceano Pacífico, temperaturas oceânicas mais quentes que o normal geralmente indicam condições de El Niño, que ocorrem quando os ventos alísios de leste enfraquecem. Temperaturas mais frias que o normal geralmente indicam condições de La Niña, quando os ventos de leste se intensificam. Durante a fase neutra, as temperaturas oceânicas no Pacífico tropical permanecem próximas do normal.”
Ou seja, irá atingir praticamente todo o nosso continente, e no Brasil, o fenômeno deve provocar mais chuvas na região Sul e estiagem nas regiões Norte e Nordeste, além de aumentar a temperatura em praticamente todo o país.
O El Niño é só a ponta do iceberg
O El Niño é sintoma, não causa. O que importa olhar pra frente é a tendência maior por trás dele, o consenso científico sobre mudanças climáticas aponta para eventos extremos cada vez mais frequentes, sejam secas, enchentes, ondas de calor ou incêndios florestais. O aquecimento global não cria o El Niño, mas amplifica os efeitos dele e de outros fenômenos parecidos.
Na prática isso significa que planejar com base no clima histórico da sua região já não é suficiente. O extremo está deixando de ser exceção.
Por onde começar a se preparar?
O que diferencia quem passa aperto de quem atravessa o período com menos dano não é sorte, é preparo. O Super El Niño de 2026 vai exigir respostas diferentes dependendo de onde você está. Separei por região e por tipo de problema:
Se você está no Sul (excesso de chuva e enchentes):
Mapeie rotas de fuga: Saiba como sair de casa em direção a pontos altos antes que a água suba, não espere esse momento para descobrir que a única ponte do bairro está interditada.
Monte um kit de evacuação: Mochila com documentos em saco plástico, lanterna, pilhas, carregador portátil, água, alimentos não perecíveis, remédios e roupa seca. Deixe em local de fácil acesso.
Proteja equipamentos elétricos: Geladeira, fogão e móveis mais baixos podem ser levantados com tijolos ou pallets. Não subestime o nível que a água pode atingir.
Saiba desligar o gás e a energia: Vazamento de gás com água e curto-circuito juntos são uma combinação perigosa.
Combine um ponto de encontro com a família: O celular pode ficar sem sinal, então todo mundo precisa saber onde se encontrar caso fique separado.
Se você está no Norte ou Nordeste (estiagem e calor extremo):
Armazene água: Garrafões, cisternas, tambores e caixas d'água extras ajudam a atravessar um racionamento sem depender do abastecimento normal.
Se proteja do calor: Telas de sombreamento, janelas vedadas durante o dia e ventilação cruzada à noite fazem diferença. Roupas e coberturas leves e claras ajudam também.
Cuidado com os alimentos: Sem energia, a geladeira não segura por muito tempo, então vale ter estoque de enlatados, grãos secos e alimentos que dispensam refrigeração.
Faça o planejamento contra fogo: Mantenha a área ao redor da sua construção limpa de vegetação seca e crie aceiros, faixas sem mato de pelo menos 5 metros.
Se hidrate antes de sentir sede: Em calor extremo a sede é um sinal tardio, e crianças e idosos exigem atenção redobrada.
